Inglaterra quer se tornar ‘livre de cigarro’ até 2030

A meta faz parte de um green paper (rascunho de uma proposta governamental que eventualmente pode levar a mudanças na lei) sobre saúde que ficará sob consulta pública até outubro e que traz outras pautas, como a promoção de atividade física, a definição de horas mínimas de sono e a identificação de pessoas com diabete.

Apesar de ser uma proposta do governo britânico – ainda feita sob o comando da premiê Theresa May, que passa o cargo nesta quarta para seu sucessor, Boris Johnson -, como se trata de uma questão de saúde pública, ela só se aplica à Inglaterra, pois os outros países do Reino Unido tem autonomia para legislar nessa área.

O documento diz que a ambição é tornar o tabagismo obsoleto até 2030, com fumantes largando o cigarro ou passando a consumir produtos com risco menor, como cigarros eletrônicos. Entre as propostas do green paper está a de que o serviço de saúde garanta “que todo fumante internado no hospital receba automaticamente ajuda para parar (de fumar)”.

Uma população “livre de tabaco” é definida como aquele com prevalência deste hábito menor que 5%. Hoje, na Inglaterra, 14% dos adultos fumam – uma das menores taxas na Europa.

No Brasil, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, 9,3% dos adultos vivendo em capitais e no Distrito Federal fumavam em 2018. Em 2006, o percentual era de 15,6%.

Dúvidas sobre continuidade do projeto com novo governo

A publicação do green paper veio na véspera da definição do novo primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, que teve sua escolha confirmada na terça-feira. Isso deixa dúvidas sobre a continuidade do rascunho, uma vez que Johnson já deixou claro que se opõe a mais impostos sobre o açúcar e intervenções semelhantes.

Helen Donovan, do Royal College of Nursing (entidade profissional de enfermagem), elogiou a divulgação do aguardado documento, mas demonstrou preocupação também com o financiamento de medidas para banir o fumo, já que diversos programas governamentais de promoção da saúde estão sendo cortados.

Kruti Shrotri, da organização Cancer Research UK, também apontou para estratégias que precisam de verbas.

“Sabemos que serviços especializados no auxílio ao parar de fumar, oferecendo uma combinação de farmacoterapia e apoio comportamental, são a maneira mais bem-sucedida de ajudar os usuários. No entanto, cortes contínuos no financiamento da saúde pública fizeram com que pouco mais da metade das autoridades locais na Inglaterra tenham um serviço especializado destes”.

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